domingo, 16 de junho de 2013

Cadela Velha

Já revirou lixo de rua pra ter o que comer
E hoje, come pedigree
Teve as tetas cheias de leite
Alimentou sua cria
Depois depois devorou suas cabeças
Criou várias ninhadas
Viveu na rua algazarras
Avançou em cachorro pequeno
Correu de cachorro grande
Brigou com poucos e quis ter raça

Não ter leite nas tetas
Não faz dela menos cadela
Só um pouco mais velha
E por que não, mais bela?

Pra que leite?
Não tem mais crias para alimentar...
O importante é que tem tetas
Caídas, mas tem
Além da força de seu gênero
E da sabedoria da sua idade

Hoje entende que, todos tem forma
Mas só com conteúdo se deforma.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cachoeira

Escuto o canto que água faz
Quando desce a corredeira
Canto junto com as águas
Cânticos que brotam da paz

Que as águas me escutem
E me cantem também
Que levem, o que eu não consigo deixar
Que lavem minha mente insana para eu conseguir pensar

Que as águas me esculpam
Assim como esculpem aquelas pedras há milhares de anos
Pra que elas possam correr e completar seu ciclo, nosso ciclo...
E que as águas tenham paciência... pois sou quase tão dura quanto uma pedra....

Que as águas me lavem o corpo e a alma
Que sasseiem minha sede
Que me acordem para eu não perder o ar
Que sejam mansas para eu não afogar

Ou melhor,
Que sejam águas
E que eu aprenda a nadar!