segunda-feira, 8 de julho de 2013

Voyeur

Busco prazer
Imediato pra inglês ver
E pra encolher os mindinhos dos pés

Réza


Ochente bichin
Porque tá aqui
Disistiu no mei do camim?
Mai rapaz...
Tú vai deixa tudo í pá debaixo da égua?
Disista não
O incardidu num dá trégua
Réza bichin, réza
RÉZA!
Réza um rosário de rosas brancas
Réza oto de rosas vermeia
Réza e creia...

Mai num deixe de réza!

Glicose

Glicose, please!
Glicose!
Pra esse povo sem sal e sem açúcar
Que não tem fé nem overdose

Glicose...

A doida

A doida ri
Ri a doida
Adoidada pelas pancadas que levou na cara
Desterrada pelo buraco no seu coração
Achou um sentido desistindo da razão
A doida ri, porque não chora
A chorona foi embora
Por não ter mais lágrimas para desperdiçar
A doida ri

Ri a doida



Pintou os rejuntes, mas os azulejos continuam velhos
A lâmpada queimada e a resistência também
Chega! Toma jeito rapaz!

Ou você quer eu chame o vizinho pra arrumar sua casa?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Setas


Flores alucinógenas no banheiro
Agua verde no chuveiro
Vento no isqueiro
Chá no bule
Pule
Sete ondas na lua cheia
De ponta cabeça
Fogueira acesa
Pra São Pedro
Perca
O fio pra depois procurar a miada
Gata no cio em cima do telhado
Molhado por suas lágrimas
Pasmo passo seu
Descompasso
Se forja
Ferro
Erro
Eros
Teu
Eu.

Sapato maculino


Um número maior

Não aperta os dedos
Conforta os medos
Equilibra os desiquilíbrios
E por isso é mais pesado
Com biqueira de aço
Pra chutar a canelas dos mais lesados

Nonsense?


Vender a alma pro diabo
Fumar mais um cigarro
Riso desconcertado
Tristeza desolada
Isolada nas escadarias
Fobia elevada de elevadores
Sal de frutas pra curar amores
Desconcorcondâcias infinitas
Lindas, sintáticas nominais
Vestida com coloridas vestes góticas
Infinitiva no passado
Definitiva no presente
Presente mais que perfeito
Tempo

domingo, 16 de junho de 2013

Cadela Velha

Já revirou lixo de rua pra ter o que comer
E hoje, come pedigree
Teve as tetas cheias de leite
Alimentou sua cria
Depois depois devorou suas cabeças
Criou várias ninhadas
Viveu na rua algazarras
Avançou em cachorro pequeno
Correu de cachorro grande
Brigou com poucos e quis ter raça

Não ter leite nas tetas
Não faz dela menos cadela
Só um pouco mais velha
E por que não, mais bela?

Pra que leite?
Não tem mais crias para alimentar...
O importante é que tem tetas
Caídas, mas tem
Além da força de seu gênero
E da sabedoria da sua idade

Hoje entende que, todos tem forma
Mas só com conteúdo se deforma.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Cachoeira

Escuto o canto que água faz
Quando desce a corredeira
Canto junto com as águas
Cânticos que brotam da paz

Que as águas me escutem
E me cantem também
Que levem, o que eu não consigo deixar
Que lavem minha mente insana para eu conseguir pensar

Que as águas me esculpam
Assim como esculpem aquelas pedras há milhares de anos
Pra que elas possam correr e completar seu ciclo, nosso ciclo...
E que as águas tenham paciência... pois sou quase tão dura quanto uma pedra....

Que as águas me lavem o corpo e a alma
Que sasseiem minha sede
Que me acordem para eu não perder o ar
Que sejam mansas para eu não afogar

Ou melhor,
Que sejam águas
E que eu aprenda a nadar!

sábado, 25 de maio de 2013

Pra dormir

Igual ao par de meias
que eu uso pra dormir
quando está muito frio
quando meus pés estão frios

Que eu uso pra dormir...
pois quando acordo
não estou vestindo nada
ou só uma meia

Vestindo as meias pela metade
a outra se perde em meio aos cobertores
junto com você, que eu só uso pra dormir

terça-feira, 21 de maio de 2013

Amores indigestos

Eu te amo
Amo como me despreza
E sinto prazer quando me pisas
Amo sua mão batendo na minha cara
E aprecio o barulho, o estalo que isso gera
Amo sua boca suja
Que me xinga
E depois me chupa
Mas acima de tudo
Amo como se culpa
Pois, parece que depois que me comes
Sentes indigestão...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Hipocrisia... eu quero uma pra viver!

Hipocrisia agora
É toda essa simpatia
Hipocrisia é sua roupa
A risada dele e o nosso silêncio
O que seríamos sem hipocrisia?
Tudo? Nada?
- Nos sentiríamos pelados e vestidos em nossas verdades.

domingo, 5 de maio de 2013

Viagem

Capricha na trilha sonora
Enche o tanque com álcool
O do carro também
Pois dessa vez, vamos além

Aumenta o som
Abre os vidros
Deixa a cabeleira voar
É muito tarde pra sonhar?

A estrada começa,
pra onde vamos?
Ao infinito e além! - agora você faz parte dele também
pra onde vamos?
Pro inferno também!

Chegamos na montanha
Vamos ficar loucos
É, loucos sim... o que nos une é a doideira
Vamos criticar todos
Vamos fingir ter nascido em outra época

Vamos viajar
Dançando loucamente
Pisoteando os pés dos outros
Deixando a bebida derramar

Vamos brincar com velas e fogueira
De noite na cabana
Será que acreditamos em tudo isso
Com quantos anos eles disseram que você ia se amarrar?

Mas a noite tudo é frio
Tudo é escuro
Temos álcool, temos fogo
Somos doidos, não temos muito a perder

O fogo consome primeiro o que está fora
As coisas estalam, a fumaça não é cheirosa
Mas vamos pensar que é de incenso,
Vamos ficar calmos, não queremos apagar antes, queremos ser consumidos até o fim!

A pele começa o escorrer e doer
Mas tudo bem,
Não ligamos muito pra isso,
E estamos acostumados com a dor, estamos não é?

Pronto, não somos nada
E tu é cinza
Cinzas!
Somos cinzas e agora voamos com o vento...

[uma parte de mim, morreu junto com você]



domingo, 28 de abril de 2013

Mário

Pra que tanta auto-afirmação?
Pra quê?
Eu sinceramente quase não percebi...
Tem gente que não auto-afirma e é bem mais firme, entende?

Pra que tanta auto deformação?
Porquê?
Não confia em si e se auto deprecia...
Tem gente que se auto aprecia e não vale nada segundo os nossos valores
(Não vale nada segundo os valores de ninguém!)

Se aceita caralho!
Se aceita...
Chega de receita,de ceita
De conceitos, pré conceitos e pós conceitos
Chega de receios alheios

Pensa fora da caixinha
Sai um pouquinho do armário
E vê se o Mário está lá atras mesmo, entendeu?
Então tá! Agora eu tenho que sair...
Se o Mário estiver lá mesmo... eu te conto, ok?

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Um dezesseis avos do meu coração

Como você se transformou em algo tão pequeno?
Uma cama de casal, já foi pouco
E você, já pareceu ser quente

Será que eu que era pequena demais
E por isso te via tão grande
E com tanta força pra me deixar ser levada por seus braços?

Agora uma cama de solteiro é pouco
Porque você está tão pequeno
Não ocupa nem um terço dela

Não ocupa
Não se ocupa
Será que é a culpa?

Eu queria que você pudesse ocupar
pelo menos um dezesseis avos do meu coração,
Mas você ocupa?
Culpa!

Aquela definição que não dei...

Não sei bem como descrever,
mas, pra mim é assim:
Surge do coração e na maioria das vezes, sai nas mãos... sendo escrito
Entra primeiro, pelos olhos e ouvidos,
podendo passar pela espinha, causando aquele arrepio que até os pelos sentem
podendo parar em sua mente, deixando aquela dúvida chata
que a gente não entende e que não passa
até que um dia, ele se entende com a gente!

domingo, 7 de abril de 2013

E o que eu vou deixar
Além das calcinhas molhadas
Semi-lavadas penduradas no registro do banheiro?
O que eu vou deixar
Além de tudo que perdi
Que esqueci e fingir não ver?
O que eu vou deixar
quando aluz vermelha apagar?
Será que vou passar pro outro plano?
Será que vou finalmente de ser redonda
E abandonar essa forma quadrada
Que me impede de passar por mim
Que me deixa empacada
Que não me deixa subir a escada
ou que me impede de cair sem parar...
Chega!
Por favor, apaguem a luz vermelha
Quero ver o que fica
Quero ver como ficarei.
Ou não,
Acho que vou colocar as calcinhas nos varal...

sábado, 30 de março de 2013

Escolhas

Tesouras
Cortam à direita, à esquerda, acima  abaixo
Papéis, véus...
Tecidos... finos
Cegam... Amolam... Cortam...
Tesouras
Pêlos e cabelos

Tesouras
Que cortam as etiquetas, as de roupas também
Tesouras... eu, tesouras cortam e recortam
Te recorto no meu colo
Te colo no meu ser

Recorto e colo, tudo
Numa grande cartolina, tetando entender
Tesouras, escolhas

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Declaração Sanitária

Você se declarou pra mim
Mas eu estava no banheiro
Só recebi o presente, junto com os olhares alheios

O que você declarou?
Não sei até hoje...
Imagino, acho que foi lindo
Você também sabe como usar as palavras

O que você declarou?
Com as suas reticências e exclamações...
Não sei!
Sei que você me entregou
E que eu me entreguei

Eu tenho um pré julgamento injusto imaginário contra mim!
Sabe como é?
Se não, que bom!


Mágoas subentendidas

Acho que nós subentendemos muitas coisas.
Brigamos pelo o que foi subentendido.
Mas, e se subentendemos aquilo que não era pra se entender?
Brigamos a toa?
Não!
Mas as vezes é bom não entender nada mesmo...

Puft!

Puft!
Sumiu!
Corri pra pegar papel e caneta
Mas não deu tempo...
Sumiu!
E olha que eu acho que esse era dos bons...
Pra onde será que vão todos os quase poemas que eu esqueci?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Garrafada

Porque procura fora
o que está dentro de ti?
é tão ruim se encarar? (é rs)
é tão difícil se aceitar?

A bagunça é sua,
você pode pedir ajuda,
mas ela só vai se organizar
se você erguer as mangas

O padre diz amém;
A baiana Oxalá;
E o psicólogo?
- Fluoxetina, 2 X ao dia

O padre dá sermão
A baiana dá passe
O psicologo receita
Mas e você o quê que dá?



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Impressões



Você me parece um daqueles caras, que,
Não são uma gracinha
Mas nunca perderão a graça, sabe?
Com aquele ar juvenil e aventureiro
E que a idade, não influenciará nas decisões e opiniões
Aquele cara que tá preso porque quer,
Mas se estivesse solto por aí, seria por sua vontade também,
Pois, não lhe faltariam pretendentes!

Esses caras inquietos,
Que causam inquietude nos que estão ao redor..
Mas aquela inquietude boa, sabe?
Aquela inquietude, que faz pensar:
Nossa, olha como ele é...interesante
Dá até vontade de ser, com você
Ser junto...
Ser Junto?

Como ser junto?
Nem te conheço...
Só tirei minhas impressões, posso estar certa, ou não!
Mas são minhas e você não pode tirar de mim,
Porque elas são minhas, entedeu?
A não ser dia, você me prove
Se são mesmo, só impressões!

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hoje

Eu sei que pode ser gostoso!
Vamos dizer não ao puritanismo
Não ao tradicionalismo
E sentir, aquilo que é gostoso

Vamos dizer não pra alma
E sim por corpo...

                    Hoje, só hoje!

A pedra

Tudo vai dar certo!
Eu sinceramente torço para que tudo dê certo
Eu nem sempre consigo ser "boa"
Mas posso ser boa pra você
Porque eu quero te ajudar
Talvez você não perceba...
Mas eu só quero ajudar você
e como eu disse anteriormente
Eu não sou tão "boa" assim para oferecer ajuda
Então caso você precise, estou aqui

Torna-me-ei uma pedra em seu caminho
Mas não estou com o intuito de te fazer tropeçar
Serei a pedra, aquele pesinho que vai escorar a porta da sua alma para ela não se fechar